segunda-feira, 23 de junho de 2008

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Romantismo - Poesia
Na Europa, a partir da metade do século XVIII, surgem autores que, libertando-se parcialmente dos limites traçados pela poética neoclássica, apresentam novas concepções literárias. Em suas obras, eles expressam sentimentos inspirados nas tradições nacionais, falam de amor e saudade num tom pessoal, realizando uma poesia mais comunicativa e espontânea do que a neoclássica. Era o nascimento do Romantismo que foi desenvolvendo-se e enriquecendo-se à medida que se expandia. Assim, acabou adquirindo características tão variadas que se torna impossível descrevê-lo em todas as suas dimensões.
No Brasil, percebe-se o desejo de criação de uma literatura nacional. Assim representou a primeira tentativa consciente de se produzir literatura verdadeiramente brasileira. Abandonou aos poucos o tom lusitano, a fim de dar lugar a um estilo mais próximo da fala brasileira.
Referências históricas
Contexto sócio-político da época (início do Romantismo no Brasil):
· 1808 - chegada ao Brasil de D. João VI e da família Real
· 1808/1821 - abertura dos portos às nações amigas; instalações de bibliotecas e escolas de nível superior; início da atividade editorial.
· 1822 - Proclamação da Independência. Daí nasce o desejo de uma literatura autenticamente brasileira.
· 1831 - abdicação de D. Pedro I e início do Período de Regência, que vai até 1840 (maioridade de D. Pedro II); fundação da Companhia Dramática Nacional; início da Guerra do Paraguai até 1840)
Características
Podem-se apontar, no amplo e diversificado movimento romântico, algumas tendências básicas:
· a exaltação dos sentimentos pessoais, muitas vezes até autopiedade
· exaltação de seu “eu” - subjetivismo
· a expressão dos estados da alma, das paixões e emoções, da fé, dos ideais religiosos
· apóiam-se em valores nacionais e populares
· desejo de liberdade, de igualdade e de reformas sociais; e a valorização da Natureza, que é vista como exemplo de manifestação do poder de Deus e como refúgio acolhedor para o homem que foge dos vícios e corrupções da vida em sociedade
· em alguns casos, fuga da realidade através da arte (direção histórica e nacionalista ou direção idílica e saudosista)
A linguagem sofreu transformações: em lugar da bem cuidada sintaxe clássica e das composições de metro fixo, os românticos preferiram uma linguagem mais coloquial, comunicativa e simples, criando ritmos novos e variando as formas métricas. Essa liberdade de expressão é uma das características típicas do Romantismo e constitui um aspecto importante para a evolução da literatura ocidental. O espírito de renovação lingüística é uma contribuição importante do Romantismo e foi retomado, no século XX, pelos modernistas.
Gerações

1ª Geração
Nacionalista ou Indianista
Gonçalves de Magalhães, Gonçalves Dias e Araújo Porto-Alegre
Exaltação da natureza, excesso de sentimentalismo, amor indianista, ufanismo (exaltação da pátria)

2ª Geração
Ultra-Romântica ou Mal do Século
Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Fagundes Varela
Egocentrismo, sentimentalismo exagerado, morte, tristeza, solidão, tédio, melancolia, subjetivismo, idealização da mulher.
3ª Geração

Condoreira ou Social
Castro Alves, Sousândrade, Tobias Barreto
Sentimentos liberais e abolicionistas
Na poesia, distinguem-se três fases, as chamadas Gerações Românticas:
· Indianismo - uma das formas mais significativas do nacionalismo romântico. O índio é um ser idealizado (nobre, valoroso, fiel), apesar disso demonstra a valorização das origens da nacionalidade.
· Mal do Século - voltando-se inteiramente para dentro de si mesmos, esses poetas expressaram em seus versos pessimistas um profundo desencanto pela vida. Muitos marcados pela tuberculose, mal que deu nome à fase
· Condoreirismo - poesia social e libertária que reflete as lutas internas da Segunda metade do reinado de D. Pedro II.
Marco inicial = publicação do livro Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães (1836). Esta obra promoveu, de modo sistemático, os ideais românticos (nacionalismo + religiosidade) e o repúdio aos padrões clássicos externos (mitologia pagã).
Marco final = publicação de O Mulato (Aluísio Azevedo) e de Memórias Póstumas de Brás Cubas (M. de Assis) em 1881
Autores
Gonçalves de Magalhães
Domingos José Gonçalves de Magalhães nasceu no Rio de Janeiro, em 1811. Viveu na Europa, onde teve contato com a poesia romântica. A obra Suspiros Poéticos e Saudades foi considerada a obra inaugural do Romantismo no Brasil. O autor procurou criar e consolidar uma literatura nacional para o país. Morreu em Roma, em 1882. Seu poema de destaque foi Noite tempestuosa do livro Urânias.
Gonçalves Dias
Primeiro grande poeta do Romantismo brasileiro. A temática indianista que caracteriza sua obra apresenta forte colorido e ritmo. Seu grande poema indianista Os Timbiras ficou incompleto, pois durante o naufrágio em que o poeta morreu perderam-se também os textos. Além da vertente indianista, também se destaca a lírica amorosa, mas não apresenta passionalidade. Aqui a mulher é sempre um anjo, idealizada, numa ótica platônica.
Álvares de Azevedo
Poeta que melhor representou a estética ultra-romântica. Tendência aos aspectos mórbidos e depressivos da existência, degeneração dos sentimentos, decadentismo e até satanismo. A escolha vocabular reflete essa tendência: "pálpebra demente", "matéria impura", "fúnebre clarão", "boca maldita", entre outros. Esta linguagem, acrescida de termos científicos, voltará no Simbolismo com Augusto dos Anjos.
Morreu tuberculoso aos 20 anos de idade, não sendo reunida em livro sua obra.
Junqueira Freire
Luís Junqueira Freire nasceu em 1832, em Salvador. Formou-se professor aos 20 anos. Morreu em 1855, logo após a publicação das Inspirações do Claustro. Seu poema em destaque foi Meu filho no claustro.
Casimiro de Abreu
Poeta que representa a sensibilidade brasileira espontânea. Levou vida boemia e morreu de tuberculose Sua poesia não foi muito inovadora, sendo considerado mais ingênuo dos românticos. Conhecido como "poeta da infância", fala muito da inocência perdida Trabalha também temas do chamado “romantismo descabelado”: exílio e lirismo amoroso.
Castro Alves
Porta-voz das ânsias coletivas tem na poesia abolicionista sua melhor realização na linha social ("Navio Negreiro" e “Vozes d’África)”. Em suas obras, atribui ao poeta a missão de denunciar as injustiças sociais e de clamar pela liberdade ("Adeus, meu canto").Esse tipo de poesia se realiza num estilo vibrante, em que predominam as comparações, metáforas, antíteses, hipérboles, apóstrofes, empregadas quase sempre em função de elementos grandiosos da natureza, que sugerem imensidão, força, majestade, como: montanhas, cordilheiras, oceanos, tempestades, furacões, astros, cachoeiras, configurando assim o estilo chamado Condoreirismo.
Sua poesia amorosa é bem mais sensual do que se fazia na época. Nela, a mulher, diante das vagas idealizações ultra-românticas, aparece em toda sua beleza física e envolvida por um clima de erotismo e paixão.
Como a maioria dos poetas românticos morre cedo, aos 24 anos de idade.
Gonçalves de Magalhães
Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras,Onde canta o Sabiá;As aves que aqui gorjeiam,Não gorgeiam como lá.Nosso céu tem mais estrelas,Nossas várzeas têm mais floresNossos bosques têm mais vida,Nossa vida mais amores.Em cismar, sozinho, à noite,Mais prazer encontro eu lá;Minha terra tem palmeiras,Onde canta o Sabiá.Minha terra tem primores,Que tais não encontro eu cá;Em cismar, sozinho, à noitemais prazer encontro eu lá;Minha terra tem palmeiras,Onde canta o SabiáNão permita Deus que eu morra.Sem que volte para láSem que desfrute dos primoresQue não encontro por cá;Sem que ainda aviste as palmeiras,Onde canta o Sabiá.

Romantismo- Prosa
A prosa romântica teve inicio em 1844, com a publicação do livro A Moreninha de Joaquim Manoel de Macedo que era publicada diariamente em forma de folhetim, o que ampliava o público leitor. O reconhecimento de A Moreninha se deve ao fato de ter sido a 1° narrativa centrada em personagens brasileiros em ambiente local. Os romances do período romântico foram construídos em torno de 3 núcleos:
· Romance indianista, com a intenção de estabelecer nossas raízes históricas Construiu-se em torno da idealização da figura do índio, transformado Em herói nacional.
· Romance urbano ambientado na corte, retrata a vida social da burguesia.
· Romance regionalista que focava a vida no campo.
· Romance Histórico que revela o gosto pelo suspense e a ênfase à vingança e há uma volta ao passado histórico, medieval.

Características:
Sentimentalismo: Praticamente todos os textos românticos apresentam sentimentalismo já que essa escola literária é movida através da emoção, sendo as mais comuns a saudade, a tristeza e a desilusão.
Subjetivismo: tratam os assuntos de forma pessoal de acordo com sua opinião sobre o mundo. Pode ser notado através do uso do verbo em primeira pessoa.
Final feliz ou trágico.
Ocorrência de peripécias: fatos repentinos que mudam o rumo da história.
Presença de flash back narrativo: consiste em parar a história para explicar o que aconteceu antes.
Amor com redenção: Mal termina mal e bem termina bem.
Idealização do herói: visto sempre como correto, possui honra e moral.
Idealização da mulher: vista como a virgem frágil e bela do romance.
Presença de personagens planas: não mudam ao longo da história.
Linguagem metafórica (comparações), como por exemplo: Maria é tão bela quanto a luz do sol.
Principais Autores
José de Alencar (1829-1877): é o mais conhecido prosador do Romantismo brasileiro. Produziu romances urbanos, regionalistas, indianistas e históricos. Mostra-se claramente como conservador, monarquista, nacionalista e anti-abolicionista. No conjunto, sua obra expressa uma tentativa consistente de traçar um amplo panorama do Brasil composto por seus aspectos geográficos, históricos e sociais e ao mesmo tempo, criar uma linguagem literária efetivamente brasileira. Suas principais obras são: Lucíola, Senhora, O Guarani e Iracema.
Manuel Antônio de Almeida (1831-1861): Introduziu no romantismo brasileiro o romance picaresco (onde narra com um toque de comicidade as peripécias em que se mete o pícaro, que é um personagem pobre e malandro, que enxerga a sociedade com um certo desencanto). Criando uma personagem que vê a sociedade por esse ângulo (a partir de baixo com malícia e certo desencanto), ele constrói uma galeria de tipos populares e faz uma verdadeira crônica de costumes da vida do Rio de Janeiro do seu tempo. Seu único romance foi Memórias de um Sargento de Milícias.
Joaquim Manoel de Macedo (1824-1882): Escreveu dezoito romances nos quais soube dosar e combinar muito bem ingredientes que a classe média apreciava como por exemplo namoricos, dúvidas de amor, festas entre outros. No conjunto a obra de Macedo é valorizada por ter conseguido popularizar o romance, consolidando-o como gênero, mas ele não conseguiu fugir a certos esquemas de efeito sentimental ou cômico, sempre repetidos e à falta de aprofundamento na pintura das personagens ou das situações. Sua principal obra e protótipo de todos os outros romances é A Moreninha.
Visconde de Taunay (1843-1899): Escreveu o melhor romance de todo regionalismo Romântico (Inocência), procurou fazer uma descrição fiel e objetiva, das paisagens, usos e costumes , além de tentar analisar valores e comportamentos do pequeno proprietário dos estados de São Paulo,Mato Grosso e Goiás.Na descrição das personagens, situações e cenários está inscrito o confronto de dois estilos de vida completamente distintos : o homem da cidade e o homem do sertão .Sua obra de ficção abrange, além de romance, as narrativas de guerra e viagem, recordações, depoimentos, artigos de escritos políticos. Sua obra prima é Inocência.
Franklin Távora (1842-1888): Iniciou o Romantismo de caráter regionalista no nordeste. Uma de suas obras mais marcantes é O Cabeleira, romance passado em Pernambuco do século XVIII. Foi crítico ferrenho de outros grandes autores brasileiros, como José de Alencar. Bernardo Guimarães (1825-1884): O seu livro mais conhecido é A Escrava Isaura, e o mais bem aceito pela crítica é O Seminarista, que permanece atual por questionar o celibato dos padres. Duas das poesias mais conhecidas são consideradas pornográficas, embora não sejam do período bestialógico. Trata-se de O Elixir do Pajé e A Origem do Mênstruo. Ambas foram publicadas clandestinamente.

Realismo
Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. Não bastava mostrar a face sonhadora e idealizada da vida como fizeram os românticos; era preciso mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos.
Uma característica comum ao Realismo é o seu forte poder de crítica, porém sem subjetividade. Grandes escritores realistas descrevem o que está errado de forma natural. Por exemplo, se um autor deseja criticar a postura da Igreja católica, não escreverá um soneto anti-cristão como no Romantismo, porém escreverá histórias que envolvam a Igreja Católica de forma a inserir nessas histórias o que eles julgam ser a Igreja Católica e como as pessoas reagem a ela. Em lugar do egocentrismo romântico, verifica-se um enorme interesse de descrever, analisar e até em criticar a realidade. A visão subjetiva e parcial da realidade é substituida pela visão que procura ser objetiva, fiel, sem distorções. Em lugar de fugir à realidade, os realistas procuram apontar falhas como forma de estimular a mudança das instituições e dos comportamentos humanos. Em lugar de heróis, surgem pessoas comuns, cheias de problemas e limitações. Na Europa, o realismo teve início com a publicação do romance realista Madame Bovary (1857) de Gustave Flaubert.
Principais correntes da época
Positivismo
Determinismo
Darwinismo
Alguns expoentes do realismo europeu: Gustave Flaubert, Honoré de Balzac, Eça de Queirós, Charles Dickens.
Comparação com o Romantismo
Realismo
Romantismo
Distanciamento do narrador
Narrador em primeira pessoa
Valoriza o que se é
Valoriza o que se idealiza e sente
Crítica direta
Crítica indireta
Objectividade
Sentimentos à flor da pele
Textos, às vezes, sem censura
Textos geralmente respeitosos
Imagens sem fantasias, reais
Imagens fantasiadas, perfeitas
Aversão ao Amor platônico
Amores platônicos
Mistura de épico e lírico nos textos
Separação
Cosmopolita
Ufanista/Nacionalista
No Brasil
A partir da extinção do tráfico negreiro, em 1850, acelera-se a decadência da economia açucareira no Brasil e o país experimenta sua primeira crise depois da Independência. O contexto social que daí se origina, aliado a leitura de grandes mestres realistas europeus como Stendhal, Balzac, Dickens e Vitor Hugo, propiciarão o surgimento do Realismo no Brasil.
Assim, em 1881 Aluísio Azevedo publica O Mulato (primeiro romance naturalista brasileiro) e Machado de Assis publica Memórias Póstumas de Brás Cubas (primeiro romance realista do Brasil).
Machado de Assis
Raul Pompéia
Aluízio Azevedo
Realismo e Naturalismo foram as duas escolas literárias de domínio narrativo no fim do século XIX e início do século XX. Sua contrapartida na poesia é chamada de Parnasianismo. Apesar de se parecerem, o Realismo e o Naturalismo têm diferenças — o Naturalismo é marcado principalmente pelo determinismo, a idéia de que a natureza define o destino dos personagens. O mais importante autor realista e maior escritor do Brasil foi Machado de Assis, que merece tratamento em separado.
Características
As características do realismo estão intimamente ligadas ao momento histórico e às novas formas de pensamento:
· objetivismo = negação do subjetivismo romântico, homem volta-se para fora, o não-eu
· universalismo substitui o personalismo anterior
· materialismo que leva à negação do sentimentalismo e da metafísica
· autores são antimonárquicos e defendem os ideais republicanos
· nacionalismo e volta ao passado histórico são deixados de lado para enfatizar o presente, o contemporâneo
· determinismo influenciando o homem e a obra de arte por 3 fatores: meio, momento e raça (hereditariedade)
O Romance realista propriamente dito, no Brasil, foi mais bem cultivado por Machado de Assis. Narrativa preocupada com análises psicológicas dos personagens e fazendo críticas à sociedade a partir do comportamento desses personagens.
Autores
Raul Pompéia
De infância rica e reclusa, teve experiências em colégio interno, onde recebeu influências para escrever O Ateneu. Publicou seu primeiro livro ainda bem jovem, que muito aclamado pela crítica da época. Mais tarde estudou Direito, colaborando também com jornais e revistas.
Era abolicionista e republicano, leva vida agitada com polêmicas, inimizades e crises depressivas. Muito sensível, este professor, político, jornalista, escritor e polemista se suicidou no Natal de 1895, abandonado pelos amigos, caluniado e humilhado na imprensa. Foi um escritor que não se pode enquadrar em único estilo, tendo influências naturalistas, realistas, expressionistas e impressionistas.
Sua obra de maior importância é O Ateneu, que tem algum caráter autobiográfico e garantiu ao autor lugar entre os maiores romancistas brasileiros. Nas passagens a seguir, note a linguagem rebuscada que o autor usa.
Obras Principais:
· Uma Tragédia no Amazonas (1880) - seu 1º romance
· O Ateneu (1888)
· As Jóias da Coroa (1888) - antimonarquista, é publicado sob a forma de folhetins na Gazeta de Notícias
· Canções sem Metro (1900) - poesia
Sobre O Ateneu: narrativa de confissão, espécie de regresso psicanalítico, onde o personagem principal redesenha pela memória os fantasmas da adolescência vivida num colégio interno. Apresenta problemas como a má direção, comportamentos equivocados de professores, violação da pureza, explosão libidinosa da adolescência etc.
Aluísio de Azevedo
Tem por formação o desenho e a pintura, só mais tarde torna-se escritor profissional. Envolveu-se na política maranhense, fundou jornais e publicou o primeiro livro naturalista brasileiro, O Mulato, que foi muito mal recebido em sua província natal. Foi o primeiro escritor brasileiro a ter a literatura exclusivamente como profissão. Sua obra variou em qualidade, tendo feito alguns dramalhões românticos que considerava de má qualidade - que chamava “comerciais” - e obras naturalistas de relevância - junto com outras de nem tanta relevância ou qualidade. A divisão de sua obra não representa fases, pois os romances românticos eram alternados com os naturalistas. Mais tarde se desgostou da literatura e ingressou no serviço público. Foi membro da ABL.
Confere aos pequenos agrupamentos humanos vida própria. Seus protagonistas vão se degradando social e moralmente por força da opressão social ou, ainda, por força do determinismo das leis naturais (cientificismo). As tragédias são comuns em seus romances, mas estas vêm da fatalidade.
O que se segue são passagens de suas obras mais famosas e importantes, as naturalistas O Mulato, O Cortiço e Casa de Pensão.

Obras Principais:
· Uma Lágrima de Mulher (1879), O Mulato (1881), Memórias de um Condenado (1882), Mistério da Tijuca (1882), Casa de Pensão (1884), Filomena Borges (1884), O Coruja (1885), O Homem (1887), O Cortiço (1890), A Mortalha de Alzira (1894), Livro de uma Sogra (1895) - romances
· Demônios (1893) e Pegadas (1897) - contos
· A Flor de Lis (1882), Casa de Orates (1882), Fritzmac (1889), Os Doidos (1879), O Esqueleto (1890), A República (1890), Um Caso de Adultério (1891), Em Flagrante (1891), Venenos que Curam (1886), O Caboclo (1886) - teatro
· O Touro Negro (1898) - crônica
Adolfo Caminha
Talvez o mais audaz dos naturalistas brasileiros. Viaja pela Marinha e, no Ceará, ajuda a fundar o Centro Republicano além de participar da vida intelectual da cidade. É envolvido num escândalo de adultério e é expulso da Armada. Retira-se da vida social, mas continua a participar da vida literária. Em 1891 muda-se para o RJ, onde se dedica ao jornalismo e literatura, escrevendo algumas das obras-primas do Naturalismo como A Normalista e Bom-Crioulo.
A Normalista é a história chocante de um incesto em que a personagem principal é seduzida pelo padrinho. Já O Bom Crioulo trata das minorias sexuais condicionadas pelo ambiente. O personagem Amaro, O Bom Crioulo, se envolve amorosamente com um jovem grumete, que acaba sendo seduzido por uma portuguesa. A descoberta da traição leva Amaro a assassinar seu amante.
Obras Principais:
· A Normalista (1892), Bom Crioulo (1895), A Tentação (1896) - romances
· Judith (1893), Lágrimas de um Crente (1893) - contos
· Vôos Incertos (1855-6) - poesia
· Cartas Literárias (1895) - crítica
· No País dos Ianques (1894) - crônica
Sinopse
Marco inicial = publicação dos livros O Mulato (1º romance naturalista), de Aluísio Azevedo e Memórias Póstumas de Brás Cubas (1º romance realista), de Machado de Assis em 1881.
Marco final = publicação de Missal e Broquéis, ambos de Cruz e Sousa - obras inaugurais do Simbolismo em 1893.
O início do Simbolismo em 1893 não significa o término do Realismo e suas manifestações na prosa , com os romances realistas e naturalistas, e na poesia, com o Parnasianismo.

Textos

"Ana Rosa estremeceu toda, deu um grito, ficou lívida, levou as mãos aos olhos. Parecia-lhe ter reconhecido Raimundo naquele corpo ensangüentado. Duvidou e, sem ânimo de formular um pensamento, abriu de súbito as vidraças.
Era, com efeito, ele. (...) A moça deixou atrás de si, pelo chão, um grosso rastro de sangue, que lhe escorria debaixo das saias, tingindo-lhe os pés. E, no lugar da queda, ficou no assoalho uma enorme poça vermelha."
--O Mulato

"Naquela mulata estava o grande mistério e a síntese das impressões que ele recebera chegando aqui: ela era a luz ardente do meio-dia; ela era o calor vermelho das sestas da fazenda; era o aroma quente dos trevos e das baunilhas, que o atordoara nas matas brasileiras; era a palmeira virginal e esquiva que não se torce a nenhuma outra planta; era o veneno e era açúcar gostoso; era o sapoti mais doce que o mel e era a castanha do caju, que abre feridas com seu azeite de fogo; ela era a cobra verde e traiçoeira, a lagarta viscosa, a muriçoca doida, que esvoaçava havia muito tempo em trono do idade da terra, piscando-lhe as artérias, para lhe cuspir dentro do sangue uma centelha daquele amor setentrional, uma nota daquela música feita de gemidos de prazer, uma larva daquela nuvem de cantáridas que zumbiam em torno da Rita Baiana e espalhavam-se pelo ar numa fosforescência afrodisíaca."
--Fragmento de O Cortiço

Simbolismo
Momento Histórico

Europa – O Simbolismo nasce na França, séc. XIX, com a publicação de As Flores do Mal, de Charles Baudelaire. Esse movimento surgiu com a reação ao sentimento de instabilidade, angústia e medo gerados pelo perído pré-Primeira Guerra Mundial. Logo, é um estilo literário que possui como principal característica a fuga da realidade e ideais opostos ao Realismo/Parnasiansimo, ou seja, ao pensamento objetivista e cientificista dos realistas.
Brasil – O Simbolismo foi introduzido no Brasil através das obras Missal (prosa)e Broquéis (poesia), ambas de Cruz e Souza. Embora o Brasil não possui não estivesse ameaçado pela Primeira Guerra, o Sul do país, local onde Cruz e Souza vivia, encontrava-se em guerra com o Brasil, tornando-se, assim, um ambiente propício para que surgisse o Simbolismo.
Características
Dentre as principais características do Simbolismo, podemos citar:
Quanto ao Conteúdo
· A valorização de temas espirituais e religiosos, presença constante que mostra a volta do apego ao abstrato, opondo-se diretamente ao racionalismo parnasiano. Por isso, o foco da poesia simbolista são temas que remetem à mente humana, à lucura, à morte e todos os mistérios metafísicos universais.
· Criação de uma realidade subjetiva, palco das poesias, com objetivo de fugir da realidade dura e cruel, os simbolistas nunca escrevem sobre ela, preferem os “estados da alma”, o sonho, o inconsciente, o diáfano.
· Assim como no Barroco, as dúvidas dos seres humanos voltam com a oposição entre a matéria e o espírito, entre o corpo e a alma.
· Dentro de todos os aspectos que compõem a essência do Simbolismo, a Morte é o estado de sublimação maior, ou seja, a Morte representa a purificação do ser humano. Dentre os outros meios utilizados pelos Simbolistas para indicar a vlta da pureza do ser humano, consta também a Loucura.
· As figuras de linguagem mais utilizadas são a aliteração, a assonância e a sinestesia, recursos que ajudam na beleza vocal da poesia.

Quanto à forma:
· O Simbolismo utiliza-se de eu-lírico, porém, ao contrário do Romantismo, ele não é utilizado de forma egocêntrica e sentimental, mas sim de forma universal.
· O poeta simbolista se comunica através de símbolos, “imagens” subjetivas.
· A poesia simbolista se preocupa com a musicalidade, por isso, é comum encontrar formas fixas - como o soneto - e esquemas de rima.

Poetas representantes do Simbolismo no Brasil


Cruz e Souza – João da Cruz e Souza nasceu em 1861, em Nossa Senhora do Desterro ( atual Florianópolis – SC). Era filho de escravos alforriados, mas recebeu educação esmerada.
Concluiu o curso secundário, exerceu o jornalismo e o magistério. Por ser negro, foi recusado como promotor público de Laguna.
A partir de 1890 muda-se para o Rio de Janeiro e começa a trabalahr como arquivista da Central do Brasil.
Cruz e Souza morreu em 1898, com 37 anos de idade, no estado de Minas Gerais, vítima de tuberculose.
Suas poesias são marcadas por misticismo e religiosidade. Outra constante em sua obra é o fascínio pela cor branca, que é vista como simbolização da pureza e também como manifestação de seu complexo racial e desejo de acessoa ao mundo dos brancos. É chamado de “O Cisne Negro”. A aublimação morte e a angústia sexual também caracterizam suas obras.
Cruz e Souza é considerado um dos maiores poetas do Simbolismo mundial.

Obras:
· Poesia – Broquéis (1893), Faróis (1900), Últimos Sonetos (1905)
· Prosa – Tropos e Fantasias (1885), Missal (1893), Evocações (1898)

Alphonsus Guimaraens – Filho de Albino da Costa Guimaraens, comerciante português, e de Francisca de Paula Guimaraens Alvim, sobrinha do poeta Bernardo Guimaraens. Matriculou-se em 1887 no curso de engenharia. Um fato marcante em sua vida foi a perda prematura da prima e noiva Constança. A morte da moça abalou-o moralmente e fisicamente, além de influenciar em suas obras.
Viveu seus últimos anos na obscuridade ao lado de sua esposa Zenaide de Oliveira, com quem teve quatorze filhos, dois dos quais também escritores: João Alphonsus e Alphonsus de Guimaraens Filho. Devido ao período emq eu viveu em Mariana, ficou conhecido como “O Solitário de Mariana”, apesar de ter vivido lá com a mulher e filhos. O apelido dado a ele devido ao estado de isolamento completo em que viveu. Sua vida, nessa época, passou a ser dedicada basicamente às atividades de juiz e à elaboração de sua obra poética.
A poesia de Alphonsus de Guimaraens é marcadamente mística e envolvida com religiosidade católica. Seus sonetos apresentam estrutura clássica e são profundamente religiosos e sensíveis na medida em que explora o sentido da morte, do amor impossível, da solidão e da inaptação ao mundo. Contudo, o tom mísitico imprime em sua obra ums entimento de aceitação e resignação diante da própria vida, dos sofrimentos e dores. Outra caracterísitca marcante da sua obra é a utulização da espiritualidade em relação à figura feminina, que é considerada um anjo ou um ser celestial, por isso, Alphonsus de Guimaraens é neoromântico e simbolista ao mesmo tempo, já que essas duas escolas possuem características semelhantes.
Obras:
· Poesia - Centenário das Dores de Nossa Senhora (1899), Câmara Ardente (1899), Dona mísitca (1899), Kyriale (1902).
· Prosa – Mendigos (1920).

Texto

Ismália
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Um comentário:

RealNatural disse...

Nós, alunos da 232E, apresentamos um seminário sobre Realismo e Naturalismo para a professora Cátia Valério e aproveitamos a oportunidade para trocarmos informações com vocês.

Ao lermos o trecho de "O Mulato" percebemos algumas características do Realismo. Nesse trecho é visível uma linguagem culta e direta, com uma mulher não idealizada, e a presença do herói problemático.
Notamos que faltou diferenciar o realismo do naturalismo, no realismo precisa se entender o homem para entender a sociedade e no naturalismo é necessário entender a sociedade para entender o homem.
Gostamos do fato de vocês terem relacionado um texto de Aluízio de Azevedo, escritor brasileiro responsável por inaugurar o estilo naturalista, com esse romance "O Mulato".

tiu-par!
Nós :
Aninha
Dilcinho
Daniboy
Fabim Jc
De Paula
Diniz