Olá Galera,
Provavelmente você conhece Manuel Bandeira ( 1886-1968), caso não, faça uma pesquisa completa na internet, você nao vai se arrepender, mas resumidamente, Manuel Bandeira, juntamente com Oswald e Mário de Andrade foram a tríade maior da 1ª fase modernista, responsável pela divulgação e solidificação do movimento em nosso país.
Bandeira deixou inúmeras contribuições, que você encontra aqui, todas comentadas por nós alunos.
O BICHO
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
(Rio, 27 de dezembro de 1947).
COMENTÁRIO
O poema O bicho nos mostra a realidade da época em que viveu Manoel Bandeira.
Podemos perceber que já naquela época, pessoas viviam em condições subumanas, tendo, como única forma de sobrevivência, de se alimentar de lixo.
O que chama bastante atenção nesse poema é que parece que ele foi escrito atualmente, pois de lá pra cá nada mudou. Podemos ver nos dias de hoje pessoas que ainda vivem dessa maneira, sem ter o que comer, o que vestir, e que por isso estão à margem da sociedade, sobrevivendo igual ou pior que um bicho.
(Everton, Marcela e Mônica)
OS SAPOS
Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.
Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!"
- "Foi!"
- "Não foi!".
O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.
Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte!
E nunca rimo
Os termos cognatos.
O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.
Vai por cinqüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.
Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."
Urra o sapo-boi: -
"Meu pai foi rei!"
- "Foi!"
- "Não foi!"
- "Foi!"
- "Não foi!".
Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.
Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".
Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!"
- "Não sabe!"
- "Sabe!".
Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;
Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é
Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...
COMENTÁRIO
O poema Os Sapos de Manuel Bandeira é uma crítica leve, com ironia constante, mas não ofensiva, que se contrapõe claramente à poesia parnasiana. O poema, a todo o momento, mostra o lado cômico da obsessão parnasiana pela gramática e linguagem perfeita e da poesia como uma pura obra de arte, pronta para apreciação. Propõe subjetivamente, ao mostrar esse lado divertido do respeito à Língua Portuguesa, que os ideais parnasianos, agora, devem ser esquecidos para que uma nova poesia, alegre e simples como Os sapos, uma poesia moderna, tenha espaço na Literatura brasileira.
(Edmo, Ana Paula, Fernanda)
Arte de amar
Se queres sentir a felicidade de amar,esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
COMENTÁRIO
Excelente poema de Bandeira que pode ser interpretado de diversas maneiras, dependendo das circunstâncias do leitor. Na minha opinião, Bandeira retrata a infelicidade do amor, que não existe amor perfeito, menos ainda almas-gêmeas. Como se o amor fosse na verdade um pretexto pras necessidades físicas... Eu acredito no amor, mas também concordo que nossa busca de alma-gêmea estrague tudo. Na verdade o amor surge numa interação de corpos e ações... Alma é com Deus mesmo.
(Andressa)
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2 comentários:
Adorei o comentário...
Concordo plenamente!!!
Desculpa...
Pra ser mais específica, me refiro ao comentário da Andressa...
Mas todos estão muito bons!!!
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